O Laboratório de Sistemas Mecânicos (LASME) possui agora um novo recurso didático: o Powertrain Interativo. A ferramenta permite alterar a velocidade do veículo, a marcha selecionada, a relação do diferencial, o diâmetro da roda, a bitola e a trajetória, observando as velocidades angulares resultantes ao longo do sistema de transmissão.
A ferramenta pode ser acessada pela página do LASME em dois idiomas: Interactive Powertrain em inglês e Powertrain Interativo em português. Seu principal valor é tornar visível o caminho da transmissão: motor, câmbio, diferencial e rodas aparecem em conjunto, enquanto o painel numérico informa rotação do motor, rotação do eixo intermediário, saída do câmbio, saída após o diferencial e velocidade de cada roda.
O exemplo a seguir reproduz os valores mostrados pela página e permite que o leitor verifique cada etapa manualmente. A configuração escolhida é o câmbio Urbano 5 marchas, primeira marcha, relação do diferencial \(2{,}9\), roda SUV com diâmetro \(72\ \mathrm{cm}\), bitola \(L = 1{,}3\ \mathrm{m}\), velocidade do veículo \(20{,}0\ \mathrm{km/h}\) e movimento em linha reta.
Cálculo no câmbio
Para a condição selecionada, o eixo do motor entra no câmbio com aproximadamente \(1517\ \mathrm{rpm}\). Na primeira marcha, o caminho engrenado mostrado pelo esquema é \(1 \rightarrow 8 \rightarrow 9 \rightarrow 2\). Os números de dentes indicados na figura são \(N_1 = 29\), \(N_8 = 50\), \(N_9 = 17\) e \(N_2 = 35\).
A redução do câmbio segue a relação de um trem de engrenagens composto:
A rotação do eixo intermediário é negativa porque ele gira no sentido oposto ao da engrenagem de entrada do motor. Seu valor vem do primeiro par:
Na saída do câmbio, a velocidade é reduzida pela relação da primeira marcha:
Diferencial e rodas
Depois de sair do câmbio, o movimento segue para o diferencial. O exemplo usa uma relação final de \(2{,}9\), logo a velocidade média das rodas, após essa redução, é:
Em linha reta, as rodas traseiras esquerda e direita têm a mesma velocidade angular. Convertendo \(147{,}4\ \mathrm{rpm}\) para radianos por segundo:
O raio da roda vale \(0{,}72/2 = 0{,}36\ \mathrm{m}\). Portanto, a velocidade linear da roda, e consequentemente do veículo, é:
Mesmo veículo em curva
Agora mantenha a mesma velocidade do veículo, a mesma marcha, o mesmo diâmetro de roda e a mesma relação final, mas altere a trajetória para uma curva de raio \(R_c = 25\ \mathrm{m}\). Para uma curva à esquerda, a roda esquerda é a roda interna e a roda direita é a roda externa.
A velocidade angular do veículo em torno do centro da curva é:
Com \(L = 1{,}3\ \mathrm{m}\), as distâncias do centro da curva até as rodas esquerda e direita são:
As velocidades lineares das duas rodas são, portanto, proporcionais ao raio de cada trajetória:
Dividindo cada velocidade linear pelo raio da roda, obtém-se a velocidade angular de cada roda traseira:
O diferencial recebe a velocidade angular média das duas rodas traseiras. Pelo cálculo em linha reta, essa média já é conhecida: \(147{,}4\ \mathrm{rpm} = 15{,}44\ \mathrm{rad/s}\). Assim:
Com a velocidade do veículo conhecida, é possível conferir a velocidade de cada roda:
O exemplo mostra como o Powertrain Interativo pode ser usado como ponte entre o simulador visual e as equações de transmissões mecânicas. A página não informa apenas uma velocidade final do veículo; ela expõe as velocidades intermediárias que explicam como o resultado se forma desde o motor até o contato das rodas com o solo.